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A Cia de
Atores já carrega em seu nome e proposta primeira o sentido do
sagrado! Atores como senhores absolutos do Teatro, guardiões de sua língua,diários
vivos de sua época.
Comandada por atores, esta Companhia promove a celebração do encontro de
artistas de diversas áreas na confecção de seus espétáculos...trabalhando
com a máxima de Che Guevara, " Ser solidário é correr os mesmos riscos",
atores , diretores, cenógrafos e dramaturgos, como cientistas malucos foram iluminar os
porões da comédia humana na companhia de Cortázar, Shakespesre,Ana Cristina César e
tantos outros, construindo um repertório que é garantia para despertar curiosidade e
intensificar expectativas sobre suas futuras produções. Que elas venham logo e que
fôlego não lhes falte nunca!!
Guilherme Weber, ator
"Estou Te Escrevendo De Um
País Distante"
Com esse título de filme espanhol, criamos uma versão do Hamlet Shakespeareano,
em 1997, no Teatro Novelas Curitibanas, com a Cia de Atores.
O texto final era uma visão pessoal e ensaística sobre o tema, que compus
incentivado por receber um convite tão especial dessa companhia que eu admirava
tanto por trabalhos como " História de Cronópios e de Famas".
Tal convite partira de amigas atrizes produtoras, dessas únicas: Nena Inoue,
atriz de traços orientais e alma infernizada por Dalton Trevisan e Raquel
Rizzo, uma bela espécie de Horácio impetuoso e apaixonado.
Quanto ao espetáculo, além de deixarmos violentamente expostas as características
emocionais das personagens da tragédia do príncipe dinamarquês, tínhamos o
intuito de trazer à pouca luz de nosso país, visões de diversos autores
contemporâneos que se debruçaram sobre essa obra. Testori, Tchapek, Stoppard,
Abujamra, Heiner Mueller e até uma versão anônima divulgada na internet, por
uns belgas loucos, conhecida como SkinheadHamlet. Enfim, todas essas versões se
mesclavam para recontar esse clássico já tão investigado.
A escolha do elenco obedeceu a um critério de adequação de energia interprete/personagem,
desprezando questões como sexo e physique du rôle, prática comum no teatro clássico
oriental. Assim tínhamos, Erica Migon no papel do usurpador Claudius, Guilherme
Weber interpretando uma histrionica Gertrudes, Nena Inoue atriz como o febril
Hamlet e a veteraníssima Lala Schneider nos papéis de Polonius, Yorick e
Coveiro.
Num golpe dramatúrgico, os atores dobravam papéis para intensificar ainda mais
as intenções da montagem. Assim, a atriz que interpretava Ofélia, após a
morte de sua personagem, voltava ao palco como Laertes (irmão de Ofélia); à
divisão tradicional Polonius-Coveiro, acrescentava-se a presença de Yorick,
bufão da infância de Hamlet, cujo crânio é decoberto pelo coveiro (Lala,
portanto, segurava em suas mãos o crânio de sua primeira personagem); e Horácio
interpretava O Espectro num jogo cênico induzido por Hamlet para alimentar sua
necessidade de vingança.
O conceito "País Distante", incluido no título do espetáculo, está
presente na célebre frase "(...) o medo da morte, esse país desconhecido
de onde nenhum viajante jamais voltou(...)" e na carta de suicídio de Ofélia
narrada entre luzes de sirenes e faixas amarelas de "Do not cross - Crime
scene": "(...) Quero morrer para fechar os olhos e não deixar escapar
a imagem que tenho de ti. Estou te escrevendo de um país distante(...)".
Foi um tempo bom a primavera de 1997 ao lado da Cia de Atores
e de Shakespeare.
Felipe Hirsch,
diretor
Meu primeiro trabalho com a Cia de Atores foi em As
Kamikazes, espetáculo de poemas reunindo parte da obra de quatro poetas suicidas. Levar
à cena uma obra que não foi escrita para teatro, uma obra literária e não
dramatúrgica. Sem dúvida, a proposta mais kamikaze que já recebi:
dirigir um espetáculo de poemas e não um recital de poemas.
Mas como unir quatro universos tão distintos e ao mesmo tempo tão próximos entre si,
sem trair ou ferir a obra dessas quatro grandes mulheres?
Parecia quase impossível. Fato é que conseguimos, e o resultado foi um espetáculo
simples, sensível, despojado de recursos mirabolantes e parafernálias cênicas,
um espetáculo que privilegia o ator e a palavra, capaz de tocar profundamente o
espectador.
Já em Meu Pé de Laranja Lima, foi a minha vez de propor um grande desafio. Eu
andava com a idéia de adaptar e dirigir essa obra de José Mauro de Vasconcelos que
marcou toda uma geração.Eu queria falar da infância brasileira, só pra variar.
Infância pobre, Brasil pequeno, santinho ainda, caboclinho ainda...
Mas isso certamente não resultaria em um espetáculo de glíter colorido, isopores e
seres encantados.
Lancei então a minha proposta kamikaze à Cia de Atores que
generosamente abraçou a minha idéia. Com isso, fomos cair lá no meio do circo de
pavilhão, mostrando um pedacinho do Brasil que muitas das nossas crianças nem sonhavam
que existia.
Esses experimentos me proporcionaram estudo, poesia, brasilidade...mas acho que, acima de
tudo, um exercício de generosidade que é nada menos do que a origem e a essência do bom
teatro.
Cleide Piasecki, diretora
Realizações:
1995 - HISTÓRIAS DE CRONÓPIOS E DE FAMAS, de
Júlio Cortázar. Direção da atriz carioca Cristina
Pereira e adaptação de Rafael Camargo. Estreou no Rio de Janeiro no CCBB (Centro
Cultural Banco do Brasil), fez temporada em Curitiba no teatros Guaíra e Lala Schneider
e em circuitos de festivais. Selecionada para a concorrida Mostra Nacional do
SESI /96 (SP), teve excelente repercussão junto ao público de São Paulo.
1996 -
ESTOU TE ESCREVENDO DE UM PAÍS DISTANTE, adaptação e direção de Felipe
Hirsch. Com esta versão do clássico de Hamlet, a CIA DE ATORES recebeu oito
prêmios Café do Teatro/ 1997 ( premiação anual da classe teatral para os melhores do
ano):espetáculo, texto, direção, atriz, atriz coadjuvante, cenário, música,
iluminação.
Teatro Novelas Curitibanas e participação no FILO Festival Internacional de
Londrina/Mostra Nacional. Leitura Dramática na Casa da Gávea (RJ),em setembro de
99.
1998/99 - AS
KAMIKAZES, poemas e escritos de Ana Cristina Cesar, Sylvia Plath, Florbela
Espanca e Alejandra Pizarnik. Com temporada de três meses, abrindo novo espaço cultural
em Curitiba no ESPAÇO CÊNICO, a montagem superou as expectativas. Apresentações no
Centro Cultural São Paulo (fevereiro e março/99), e participação no Projeto
Palco Giratório/SESC/ RJ (que tem como proposta intercâmbio cultural a nível nacional),
para apresentações em Pernambuco e Ceará (outubro), sendo o único representante da
região sul do País. Por sua atuação neste trabalho, Regina Bastos, recebeu os
prêmios Gralha Azul e Café do Teatro de Melhor Atriz.
1999 - MEU PÉ DE
LARANJA LIMA, de José Mauro de Vasconcelos, adaptação e direção de Cleide
Piasecki. Transposição para o palco deste clássico da literatura brasileira.
Apresentações em Curitiba nos teatros Cleon Jacques e Fernanda
Montenegro (outubro). Num contexto repleto de brasilidade, a montagem resgata valores
universais e mostra de maneira sensível, a infância de Zezé, um meninozinho
que um dia descobriu a dor .
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